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Zuzu Angel

A carreira como costureira começou com as produções de roupas para as primas, em Belo Horizonte. Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel foi uma das mais importantes estilistas do Brasil. Suas coleções foram uma maneira de manifestar a sua dor pela perda do filho e de buscar respostas sobre sua morte.

Com sua linguagem pessoal a moda brasileira foi caracterizada pelas cores tropicais, onde Zuzu misturava renda, fitas e chita, utilizando temas regionalistas e folclóricos, apropriando-se de muitas estampas de pássaros, borboletas e papagaios. Foi pelas criações de Zuzu que as pedras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas passaram a ser usadas como ornamentos nas roupas. Na década de 60, a estilista passou a criar modelos para grandes artistas e personalidades como Liza Mineli, Joan Crawford, Yolanda Costa e Silva, Helô Amado, Heloisa Lustosa, Kim Novak, Margot Fontaine.

Sua loja em Ipanema foi aberta em 1970 e logo o mundo todo estava encantado com suas criações. Nos Estados Unidos seu trabalho fez um enorme sucesso. O anjo era o logotipo de sua marca, simbolo presente em suas obras. Nessa época a intuição de Zuzu fez com que sua produção se voltasse a realização de lingeries, camisolas, babydolls, além da criação de vestidos de noivas com bordados do Ceará.

A história de vida de Zuzu Angel é sobre uma mulher forte que com muito talento tornou-se referência no mundo da moda, e levou o Brasil a se destacar neste ramo. Porém, sua vida foi marcada pelo sequestro de seu filho Stuart Angel Jones, ativista do Movimento Revolucionário 8 de Outubro MR8, Stuart e estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Stuart foi preso em 14 de junho de 1971 por agentes do CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica) e Zuzu passou a buscar seu filho em todas as prisões e quartéis do Brasil.

Mas Stuart nunca apareceu. Um depoimento entregue por meio de uma carta conta como foi o assassinato de Stuart, uma enorme brutalidade, pela qual Zuzu lutou a vida toda. A estilista usou de sua fama para declarar ao mundo, por diversos meios de comunicação, o assassinato de seu filho e a ocultação de seu cadáver.

A moda foi uma de suas formas de expressão, por onde protestou onde fez “a primeira coleção de moda política da história”, como ela mesma designou. Em suas roupas as figuras de anjos, tanques de guerra, crucifixos, pássaros engaiolados, sol atrás das grades, jipes e quépis, davam voz a sua luta.

A estilista Zuzu Angel foi vítima de um atentado no dia 14 de abril de 1976, às 3h, na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ). Na época sua morte foi divulgada com outra declaração, porém anos mais tarde foi reconhecido que Zuzu foi assassinada, por causa de sua enorme busca pela verdade e punição dos assassinos de seu filho. Chico Buarque homenageia a estilista na música “Angélica”. Sua filha e jornalista Hildegard Angel, é a idealizadora do Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, fundada em 1993.